Congresso da Seguros Unimed aborda a questão de moradia e cidades

Congresso da Seguros Unimed aborda a questão de moradia e cidades

1 de Outubro de 2019 às 17:03

O Congresso Brasileiro da Seguros Unimed destacou os desafios atuais em encontrar alternativas de moradia pensada, especialmente, para atender o público maduro e que sejam financeiramente acessíveis.

Participaram do debate Odilon Wagner – Mediador, ator, autor e diretor de teatro brasileiro; Flávia Ranieri – Arquiteta e Urbanista especializada em gerontologia; Caio Calfat – Presidente da ADIT BRASIL – Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil; e Cid Torquato – Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

Segundo Odilon, vivemos uma cultura na qual muitas moradias levam os maduros para um isolamento social, o que traz solidão e, portanto, não proporciona a ninguém uma longevidade feliz e saudável. “Isso precisa ser alterado. As moradias precisam ser pensadas e planejadas para receber os milhões de seniores que estarão aqui nos próximos anos, levando em conta que eles são diferentes dos idosos do passado, que eram totalmente dependentes”.

Na opinião da arquiteta Flávia, o maior desafio que enfrentamos hoje em dia é encontrar alternativas de moradia pensadas especialmente para atender o público longevo e que sejam financeiramente acessíveis. “Ainda tem pouca e o suporte é limitado, mas a tecnologia está entrando para ajudar. Há coisas simples e que fazem toda a diferença, como, por exemplo, repensar o tamanho de porta, que diminuíram muito nos últimos anos, para que cadeirantes tenham a possibilidade de chegar ao quarto. Existem ainda muitos maduros vivendo na sala por essa questão e isso tira privacidade, intimidade e dignidade. É muito sério!”.

Flávia ressalta que no Brasil já surgem coisas bem interessantes, como é o caso de um empreendimento residencial no interior de São Paulo. “A construtora teve uma visão de longo prazo e além de portas largas e estrutura pronta para implantação de futuras tecnologias, no momento da compra do imóvel, o proprietário recebe uma segunda planta para caso de necessidade de adaptação no futuro. E isso é fantástico”.

“Há mais de duas décadas planejamos empreendimento, dentre os quais os residenciais para idosos. Nos últimos 5 anos temos estudado um modelo diferente daquele que o brasileiro estava acostumado. Identificamos que o primeiro desafio se dá levando em conta a questão social, porque esses novos tipos de moradia não são adaptados para os que têm menos capacidade financeira, mas são muito diferentes de tudo o que existia até então”, disse Caio Calfat.

O Presidente da ADIT BRASIL ressaltou que outro ponto é convencer o mercado de que o que estão fazendo não tem nada a ver com aquele modelo antigo, que ainda está impresso na mente de todos. “Temos produtos para maiores de 70/75 pensando totalmente na qualidade de vida, ou seja, a adequação do produto em si leva isso em consideração. A população está envelhecendo e precisamos pensar nisso. É um novo mercado, um novo nicho para quem quer empreender e investir”.

Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Cid Torquato questionou se o mercado está preparado para oferecer moradia para essas pessoas. “Precisamos dar a elas os instrumentos e acessibilidade necessária para que habilidades sejam potencializadas e as impossibilidades e fragilidades adquiridas com o tempo, minimizadas. E estamos muito longe de chegar perto disso”.

Como gestor público, Torquato afirma que ainda temos muito o que caminhar para que a questão da moradia seja minimamente acolhedora. “E falo em termos da cidade como um todo. Ao fatiarmos a problemática e chegarmos na questão da moradia, notamos que as opções disponíveis de moradia digna não têm custos acessíveis. E as que precisam do Estado também estão muito mal resolvidas e um dos pontos principais do trabalho da nossa Secretaria é aumentar o conhecimento das pessoas da questão da acessibilidade em si, que é muito importante nesse cenário e mostrar que isso serve para todo mundo, não apenas para as pessoas com deficiência. Mas, isso ainda é muito pouco valorizado no Brasil. Estamos muito atrasados nesse processo”, finaliza.