Grande parte das marcas ainda se limita a ‘apenas’ adaptar seus produtos aos 50+

Grande parte das marcas ainda se limita a ‘apenas’ adaptar seus produtos aos 50+

15 de Outubro de 2019 às 06:00

Após anos trabalhando em grandes institutos de pesquisa de mercado, a publicitária Ana Gabriela Sturzenegger Michelink ficava sempre intrigada pelo fato de o público acima dos 60 anos não ser objeto dos levantamentos das entidades. Os motivos apontados, como necessidade de manter parâmetros comparativos e otimizar verba com foco no target mais importante, não a convenciam.

Por isso mesmo, ela resolveu desenvolver um amplo trabalho de pesquisa para este nicho. Com MBA em Marketing e Mestre em Gerontologia Social (PUC/SP), Gabriela lembra que os objetivos do trabalho eram ter qualificação, conhecimento, ampliar o estímulo cognitivo do tema e dividir conhecimentos e descobertas acadêmicas. Assim nasceu a pesquisa sobre “O Estado da Arte sobre o Mercado de Consumo para a Terceira Idade no Brasil, de 2006 a 2016”.

Como método, Gabriela usou um grupo de palavras do mercado de consumo associado a grupo de palavras da longevidade, tudo isso junto a trabalhos científicos que incluíam os temas propostos, disponíveis em diversos repositórios acadêmicos.

Dos 98 trabalhos científicos selecionados, foram pinçadas as palavras idoso, envelhecimento, velho, velhice e terceira idade. Elas foram associadas entre si e os temas mais repetidos nos trabalhos foram, na ordem: aumento de demanda, desenvolvimento de produtos, novas tecnologias, serviços, comunicação, mídia, uso de produtos, direitos e varejo/PDV.

Diante da análise dos dados, pôde-se constatar três grandes movimentos: há forte transformação deste consumidor, há um movimento maior de adequação dos idosos nos padrões existentes do que adequação do mercado às necessidades dos clientes e o mercado atende pouco às necessidades específicas deste público.

Segundo a especialista, algumas conclusões puderam ser constatadas, como a necessidade e possibilidade de novas soluções. “Em 54 dos 98 trabalhos pesquisados, há melhorias e soluções que buscam conhecer mais os idosos para atendê-los melhor. E as empresas podem conhecer e pesquisar sobre estes indivíduos, revendo suas condutas nas práticas de pesquisa de mercado”, conclui.