Inclusão dos longevos no mercado de trabalho mais conectado e digitalizado segue um desafio 

São Paulo, 20 de novembro de 2020.

 

Inclusão dos longevos no mercado de trabalho mais conectado e digitalizado segue um desafio 

 

 

  • Tema foi um dos assuntos do segundo bloco de conteúdos exclusivos na tarde do primeiro dia da Maratona Digital da Longevidade Expo + Fórum 2020 

 

 

 

  • Infectologista David Uip, Ary Fontoura e a Jornalista Gloria Maria falaram sobre suas experiências e confirmam a importância da confiança na relação médico-paciente e da prevenção para a garantia de uma maior qualidade de vida 

 

 

O segundo bloco da Maratona Digital da Longevidade Expo + Fórum 2020, evento 100% virtual voltado ao público sênior 50+ e que segue até domingo (22), ocorreu na tarde desta sexta-feira (20) e teve como destaque principal a realização do primeiro dia do II Congresso Brasileiro da Longevidade, realizado em parceria com a Seguros Unimed.

 

Com mediação do ator, autor e diretor de teatro Odilon Wagner, o congresso trouxe à tona o debate sobre temas atuais e relevantes para o público longevo e para todo o universo a sua volta, como os desafios do mercado de trabalho no futuro, em uma sociedade cada vez mais conectada e digitalizada. Quem falou mais sobre isso foi o professor, escritor e sociólogo italiano Domenico De Masi.

 

“Em breve, estima-se que em alguns anos, o mundo será habitado por mais de 8 bilhões de pessoas, cada vez mais escolarizadas, conectadas e interligadas. Consequentemente, teremos também mais idosos, com cerca de 910 milhões de pessoas com mais de 60 anos, em comparação com os atuais 400 milhões que possuímos atualmente. Tudo isso, acompanhado de uma época que ganha cada vez mais recursos de digitalização e de inteligência artificial, que deve modificar o panorama do mercado de trabalho como conhecemos, substituindo processos analógicos por digitais. Sendo assim, logo devemos ver cada vez mais pessoas desenvolvendo trabalhos em caráter administrativo e muito menos em funções manuais”, diz.

 

Claro que a adesão de novas tecnologias pelas empresas traz vantagens ao mercado, afirma De Masi, como um modelo pautado por jornadas de trabalho menores e com menos estresse aos profissionais, além de garantir mais produtividade aos mesmos e menos custos às companhias, mas, por outro lado, há a questão da adaptação do público mais velho a esta nova realidade que se desenha. 

 

“Naturalmente, as pessoas mais jovens possuem mais naturalidade para se adaptar às novas tecnologias que estão surgindo, pois já nasceram na era da digitalização. O público mais idoso, por sua vez, possui mais dificuldade para acompanhar e entender as inovações, então é preciso encontrar oportunidades com as quais se encaixem com mais facilidade, ou criar novas para eles, além de se ter mais paciência para ensiná-los a manusear os recursos digitais”, acrescenta.

 

Para ele, somente assim será possível se garantir mais ócio criativo ao profissional (conceito desenvolvido por De Masi no início dos anos 2000 que defende a união entre trabalho, estudo e lazer, ou seja, que é alcançado quando se trabalha, aprende e se diverte ao mesmo tempo, basicamente).

 

Longevidade e Qualidade de Vida: Prevenção é o melhor caminho 

 

A importância da prevenção para se garantir uma maior qualidade de vida e um futuro com menos preocupações também foi tema de destaque deste segundo período de conteúdos exclusivos da Maratona Digital da Longevidade Expo + Fórum 2020. E para debater mais sobre a pauta, o encontro virtual contou com a presença de três grandes personalidades: o diretor do Instituto do Coração de São Paulo e do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip; a médica pediatra intensivista e presidente do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais e de Matriz Africana, Regina Nogueira; e o ator, diretor, escritor e poeta Ary Fontoura.

 

Uip, que também foi secretário de saúde do Estado de São Paulo, reconhece a relevância da prevenção para se obter uma vida mais saudável e rechaça o paradigma de muitas pessoas de que para se adotar um estilo de vida preventivo é necessário ter plano de saúde particular. “Não é preciso ter obrigatoriamente um plano de saúde para se precaver, a prevenção pode e deve ser feita também pelo sistema de saúde pública. Eu, por exemplo, sempre tive a consciência da importância de se estimular exames preventivos e por isso busquei promover ações de incentivo neste sentido quando estive à frente da secretaria de saúde do estado. Mas não é fácil, principalmente com os homens, que não têm a mesma facilidade de ir ao médico que as mulheres. Então, pensamos em um programa que os estimulasse e criamos o AME do Idoso, o que deu muito certo. Muitos homens aderiram e foram em busca de exames preventivos. Realizamos diversos diagnósticos precoces que ajudaram, inclusive, em eventuais tratamentos”, afirma.

 

Quem também se mostrou adepto à prevenção foi Ary Fontoura, que revelou estar sempre atento a si. “Eu costumo estar sempre ligado a tudo o que acontece a mim. Qualquer sintoma ou qualquer coisa que eu sinta diferente do habitual me faz procurar uma consulta especializada de imediato. E acredito que todos deveriam fazer o mesmo. O brasileiro tem mania de transformar o assunto saúde pessoal em piada, quando, na verdade, é um tema que merece ser tratado com mais seriedade. As pessoas têm que ter um conhecimento absoluto sobre si e precisam se cuidar, porque ninguém fará isso por elas”, reforça.

 

Já a médica Regina Nogueira, por sua vez, levantou outro ponto importante, a longevidade da população negra no Brasil, já que a expectativa de vida das pessoas afrodescendentes, estatisticamente falando, é menor no país. “Nos dias atuais é difícil falar de longevidade para a população negra no Brasil. Cada vez mais vemos casos de crimes contra estes tipos de pessoas no país. Pesquisas mostram que mais da metade dos jovens assassinados no Brasil são negros. As mesma coisa quando o assunto é violência contra mulheres. Cerca de 67% das mulheres assassinadas no país são negras. Então, infelizmente, na corrida da longevidade os negros estão sempre atrás”, pondera preocupada.

 

Relação médico-paciente: Carinho, confiança e empatia são fundamentais

 

Para fechar a programação do primeiro dia do II Congresso Brasileiro da Longevidade, a pauta voltou-se para a essencialidade de uma relação de confiança e empatia entre médico e paciente, com a participação do médico, professor e membro do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), João Gabriel Marques Fonseca, e da repórter e apresentadora de televisão, Glória Maria.

 

A jornalista, inclusive, começou seu relato trazendo um testemunho pessoal, já que enfrentou um sério problema de saúde recentemente, uma cirurgia para a retirada de um tumor progressivo no cérebro. “Pouco depois que saí da sala de cirurgia, logo estava lúcida e o médico responsável por efetuar o procedimento se surpreendeu com minha rápida recuperação. Lembro que até fiz uma brincadeira com ele na ocasião, mas, na verdade, eu só tive um bom pós-operatório, assim como todo um tratamento adequado graças ao apoio e a confiança que recebi de toda a equipe médica com a qual me consultei. Alguns me acompanham até hoje, inclusive. Então eu digo que sem a capacidade e o talento dos profissionais que me atenderam, certamente, eu não estaria aqui”. 

 

Fonseca reforça o quanto essa boa relação é crucial no trato com um paciente e o quanto a palavra médica tem poder. “Muitos médicos não percebem, mas seu atendimento tem poder terapêutico e faz toda a diferença, tanto para o bem quanto para causar problemas. Uma vez ouvi uma frase do doutor José Fernandes Pontes que me impactou muito: ‘A palavra na boca de um médico é semelhante à faca na mão de um louco’. Ou seja, um médico pode tanto falar coisas que vão machucar o paciente quanto reconstruí-lo. Tudo depende da forma que se diz. Afinal, tornar-se médico e acumular conhecimentos, hoje em dia, é muito fácil. Agora, tornar esse conhecimento algo humano, que demonstre acolhimento e carinho ao paciente que é difícil”, acrescenta.

 

Glória Maria complementa. “Se não houver a subjetividade, a relação médico-paciente não é completa, pois por mais conhecimento que o profissional tenha, se não tiver o carinho, a empatia, o sentimento e a emoção no trato com o paciente de nada adianta. A especialização e o estudo são importantes tecnicamente, mas não são primordiais humanamente”, conclui.

 

Para participar da Maratona Digital da Longevidade Expo + Fórum e interagir com os speakers, enviando perguntas pelo WhatsApp, é necessária inscrição prévia no site www.longevidade.com.br. As inscrições são gratuitas. 

 

Serviço: Longevidade Expo+Fórum 2020 – MARATONA DIGITAL

Data:  20 a 21 de novembro de 2020, das 9 às 21 horas.

22 de novembro de 2020, das 9 às 13 horas.

Onde: Plataforma do evento, com transmissão simultânea pelo Facebook e  YouTube, além de redes sociais dos apoiadores e patrocinadores.

 

Assessoria de Imprensa – Longevidade Expo+Fórum

 

Coletivo da Comunicação 

Valeria Bursztein

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