Longevidade sem tabus: como ter uma vida afetiva sem preconceitos na melhor idade

Autoconhecimento, relacionamentos, sexualidade e outros tabus da população 60+ foram destaques do Congresso Unimed da Longevidade, evento oficial na Maratona Digital da Longevidade Expo+Fórum 2021.  Para debater o assunto, o evento virtual recebeu a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins e a atriz e comunicadora Bruna Lombardi

Relacionamentos afetivos e sexualidade ainda costumam ser tabus que rondam a população de 60+ que – por crenças, receios ou pressão da sociedade – acabam, muitas vezes, reprimindo os próprios desejos e sentimentos. Para ajudar a trazer luz sobre o tema, o III Congresso Unimed da Longevidade, programação especial que integra a grade de conteúdos da Maratona Digital da Longevidade Expo+Fórum 2021 promoveu um painel exclusivo com a participação de dois nomes de peso do cenário nacional: a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins e a atriz e comunicadora Bruna Lombardi. A mediação foi do ator e diretor Odilon Wagner, que deu início ao painel questionando o segredo para um relacionamento duradouro nos tempos de hoje.

Na visão de Regina, a longevidade nas relações afetivas é um desafio porque na cultura brasileira os casamentos ainda são baseados em relações de controle, ciúmes e desrespeito à individualidade. “O casamento pode ir muito bem, desde que se respeite a individualidade de cada um, sem haver controle da vida do parceiro ou da parceira. É necessário entender que é possível amar com liberdade, com cada um dos indivíduos fazendo o que gosta. Compreendendo isso, podemos ter relações muito mais duradouras e felizes”, salientou.

Outra questão de destaque foi a possibilidade de viver bem sem ter um relacionamento amoroso. Para Bruna, é perfeitamente possível. “O que não nos faz viver bem, na verdade, é a dissonância entre o que realmente se deseja e o que se está vivendo na prática. Muitas vezes é possível buscar uma alternativa que supra, de certa forma, a necessidade de companhia, o que pode ser um animal de estimação, uma atividade. Outra possibilidade é procurar algo que transforme aquilo que se vive no que realmente quer, no melhor estilo ‘aceitar as circunstâncias que lhe são postas e tentar fazer delas o melhor’. Até porque toda circunstância pode ser bacana se bem aproveitada; o que não pode é cair em um relacionamento tóxico, corrosivo, que derruba sua autoestima apenas por medo a estarmos sozinhos”.

Regina acrescentou: “As pessoas precisam aprender a se sentirem bem sozinhas, o que não quer dizer morar no alto de uma montanha isolada, mas perceber que não necessariamente precisamos estar acompanhados por alguém para sermos felizes”, disse.

 

Sexo longevo

Outro tabu que precisa ser quebrado, de acordo com a psicanalista e escritora, é aquele que envolve as relações sexuais do público sênior. “Um dos maiores problemas conjugais é a relação sexual. As pessoas têm receio de falar disso. Há vários casos de casais que estão juntos há anos, se amam, mas não têm mais vontade de ter relações sexuais com seus parceiros. E isso é muito compreensível, porque amor e desejo são coisas completamente diferentes. Já está mais do que na hora de passarmos a falar mais deste aspecto, a olhar o lado do outro, a entender e a respeitar as particularidades de cada um. Além disso, esse papo de que as pessoas mais velhas não sentem mais prazer e que não precisam mais de sexo é mais uma crença que precisa ser deletada da sociedade”, concluiu.

 

Bruna concordou. “A idade transforma o prazer, o sexo e a relação. Somos seres em evolução e, à medida que o tempo passa, vamos descobrindo outras formas de sentir prazer. Fundamental, em nossas vidas, é encontrar um propósito que dê sentido à nossa caminhada de transformação“.

Para fechar o debate com bom humor, o painel contou ainda com uma participação surpresa da atriz Tania Bondezan, que dá vida à divertida personagem chamada Annetta Poché, na peça teatral “Como ter sexo a vida toda com a mesma pessoa” – em que Anetta é uma sexóloga búlgara, formada na Universidade de Sorbonne, na França, que dá dicas sobre a difícil arte de conviver e, sobretudo, manter o fogo de um relacionamento com uma única pessoa por muitos anos.

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