Virada demográfica: “Nasceu o RS mais sênior da história”

Virada demográfica: “Nasceu o RS mais sênior da história”

29 de Outubro de 2019 às 14:26

Um dia histórico para o Rio Grande do Sul sob os aspectos da demografia e da longevidade. A linha de crescimento da população de crianças e jovens de zero a 14 anos foi ultrapassada pela linha da população 60+. Passamos a ser o Estado mais envelhecido do País. O que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta para o Brasil só em 2030 aconteceu antes aqui. Acompanho e aguardo por esta data como um astrônomo esperando por um cometa que ainda não tem nome. Estou especialmente feliz.

O envelhecimento da população é percebido no consumo e na forma como marcas, produtos e serviços devem se relacionar com ele. O marketing 60+ precisa correr para garantir que as empresas que estão no mercado hoje ainda existam em 10 anos. Mais do que baby boomers, eles foram os adolescentes “pais” do rock´n´roll, as mulheres dos sutiãs queimados, primeiras a utilizarem pílula anticoncepcional e a casar por amor sem os arranjos entre famílias. Assistiam a três filmes do Elvis Presley por ano no cinema e hoje já têm seus “preferidos” na Netflix. Escutavam Chuck Berry em rádios a válvula e hoje compartilham suas playlists no Deezer. No Facebook, já são 670 mil perfis somente no Estado.

O corte “RS 60+” da Vitamina e SeniorLab na pesquisa nacional, que entrevistou 2 mil pessoas, descobriu coisas curiosas, como a aborrecida hipervigilância dos filhos sobre os avós e pais mais velhos. Mensagens, ligações e noites em claro para saber onde, como e com quem estão. Os 60+ de hoje sentem-se muito mais jovens do que suas idades cronológicas e, ao se olharem no espelho, gostam do que veem. É um momento de plenitude e grande satisfação, diferente do imaginário a respeito do que é envelhecer.

Apenas 5% das empresas estão buscando melhorar a relação com eles. Cerca de 30% estão curiosas por saber mais e 65% sequer perceberam os R$ 940 bilhões de renda que circularão este ano no País, os 22% de peso sobre o consumo de bens e serviços nas famílias e que em 10 anos crescerão para 31%.

A visão do aging in market será boa para os 60+ e excelente para o Rio Grande do Sul.

 

Fonte: Artigo de Martin Henkel, fundador e diretor da SeniorLab, publicado no site Gaúcha ZH.